FORAM MESMO TRÊS DIAS ATÉ A RESSURREIÇÃO?

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Uma pergunta que recebo com frequencia refere-se a quanto tempo realmente se passou entre a morte e a ressurreição de Jesus. Muitos encontram uma discrepância no relato bíblico a esse respeito. Vamos aos fatos.

A Bíblia nos conta que Jesus morreu por volta de três horas da tarde de sexta feira e foi enterrado antes do por do sol (seis da tarde), pois depois dessa hora começava o sábado e mais nenhum trabalho poderia ser feito segundo as leis judaicas. 

Não sabemos a hora exata em que Jesus ressuscitou, mas a Bíblia nos conta que as mulheres foram até seu túmulo no domingo cedo, para preparar melhor seu corpo (enterrado às pressas). Provavelmente isso aconteceu logo depois que o sol nasceu (6 horas da manhã), pois era preciso haver luz natural para desenvolver o trabalho que tinham em mente. 

Portanto, Jesus esteve morto por um período que não podemos determinar exatamente, mas que vai desde aproximadamente as três horas da tarde de sexta feira até pouco antes do por do sol de domingo. Isso dá no máximo 36 horas. 

Por outro lado, Jesus fala de três dias com referencia a esse período:

“… e o Filho do homem [Jesus] será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas. E eles o condenarão à morte. E o entregarão aos gentios para ser escarnecido, açoitado e crucificado.; mas ao terceiro dia ressurgirá“.                                          Mateus capítulo 20, versiculos 18 e 19  

Como explicar essa discrepância? Será que, como muitos pensam, há um erro na Bíblia?

Mas, antes de discutir essa questão, aqui vai um conselho: toda vez que você se vir ante uma situação como essa, a primeira coisa a fazer é renovar, em seu coração, a confiança na Bíblia. Assuma que deve haver uma explicação, mesmo que ela não seja aparente. E lembre-se que perder a confiança na Bíblia significa perder uma das coisas mais preciosas que existem: a certeza naquilo que ela afirma.

E a explicação nesse caso é relativamente simples, desde que se leve em conta como os judeus contavam o tempo na época de Jesus. Eles não tinham relógio e, como todos os demais povos da antiguidade, contavam o tempo de forma aproximada, assim. Faziam isso sempre a partir de dois eventos diários, o nascer e o por do sol. 

É claro que essa forma de medição tinha imprecisões pois a duração dos períodos de claridade e escuridão varia com a passagem das estações. Mas era o que melhor podiam fazer.

Assim, as horas eram estimadas de forma bem aproximada, com base na altura do sol acima do horizonte, na trajetória da lua (quando estava visível) ou no altura que uma vela tinha derretido. 

E as pessoas não usavam as horas como referencia pela falta de precisão no seu cálculo. Por exemplo, os romanos dividiam o período de claridade em quatro estações de vigília, com três horas de duração aproximada cada uma. É por isso que a Bíblia se refere a horários como a “hora terceira” (o segundo período de vigília) ou “nona” (o quarto). 

Feito todo esse esclarecimento, podemos voltar à análise do texto bíblico. O texto citado acima é bem representativo de como a Bíblia se refere ao período entre a morte e a ressurreição: refere-se à ressurreição “ao terceiro dia”. 

Ora, já comentei que, naquela época, isso nunca poderia referir-se a 72 horas literais e sim que a morte aconteceria no primeiro dia e a ressurreição no terceiro dia. E Jesus morreu na sexta feira e ressuscitou no domingo e, portanto, não há qualquer erro na Bíblia.

Com carinho