UM ESTUDO DO APOCALIPSE – PARTE 5

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A visão do trono de Deus (capítulo 4)
João teve uma visão do trono de Deus e naturalmente precisou usar de muitos símbolos para descrever o que viu:

  • O arco-iris atrás do trono lembra a promessa de Deus feita a Noé de nunca mais destruir o mundo pelas águas (Gênesis capítulo 9, versículos 11 a 17). Sempre haverá uma forma de salvação. 
  • Os 24 anciãos, coroados, vestidos de ouro e sentados em torno do trono, representam o povo de Deus ao longo de toda a história – 12 por conta das tribos de Israel e os demais 12 por conta dos apóstolos da Igreja cristã.
  • O mar de cristal puro situado à frente do trono representa a santidade de Deus e de tudo aquilo que o cerca.
  • As 7 tochas de fogo representam as 7 manifestações do Espírito Santo.

O livro e os selos  (capítulo 5)
Aparece um livro selado na visão de João e mas nenhum ser criado – quer homem, quer anjo -, foi considerado digno de abri-lo. Qual era o conteúdo daquele livro? O livro estava seguro na mão direita de Deus, cuja simbologia é autoridade e poder, logo seu texto tinha a ver com a soberania d´Ele. 

Em outras palavras, o livro continha os propósitos de Deus, escondidos do homem (“selados”) desde a queda de Adão e Eva. Por isso João ficou tão perturbado quando ninguém foi digno de revelar seu conteúdo – afinal, ele conhecia a promessa de Deus de redimir o mundo e ansiava por isso, assim como todos os cristãos.

O texto nos conta que apenas o Cordeiro de Deus, ou seja àquele que se sacrificou por nós na cruz do Calvário, Jesus Cristo, foi considerado digno de abrir o livro e conhecer os desígnios de Deus. E Ele abriu os selos e vários acontecimentos fantásticos, que irão acontecer no futuro, passaram a ser relatados. 

Os 4 cavaleiros  (capítulo 6, versículos 2 a 8)
Os 4 primeiros selos correspondem aos famosos “Cavaleiros do Apocalipse”, que já deram origem a filmes, livros e peças de teatro. Mas seu significado simbólico é um pouco diferente daquele que normalmente é indicado nessas obras: os Cavaleiros representam forças impetuosas que invadem a história humana.

O “Cavaleiro do cavalo branco” representa as forças do Mal querendo se passar por uma manifestação de Deus – por isso o cavaleiro usa a cor da pureza. Esse cavaleiro não pode ser Cristo, como alguns defendem, porque o texto diz que “foi-lhe dada uma coroa“, indicando que o tipo de autoridade passada para ele é igual ao dado para os demais Cavaleiros, o que não faria sentido caso Cristo estivesse envolvido.

O Cavaleiro do cavalo branco representa a ação do Anti-Cristo, que será aceito por muitas pessoas como um novo salavador da humanidade, tomando, para elas, o lugar do próprio Jesus.

O “Cavaleiro do cavalo vermelho” simboliza discórdias e guerras. O “Cavaleiro do cavalo preto” significa escassez de comida, que encarece em muito o preço dos alimentos – o texto fala que um denário (o salário de um dia de trabalho) vai conseguir comprar apenas uma medida de trigo, o que não dará para alimentar uma família. Por isso as pessoas precisarão comprar comida de menor qualidade – no texto, a cevada. Isso nem leva em conta suas outras necessidades – moradia e roupas – que ficariam totalmente desatendidas. 

O “Cavaleiro do cavalo amarelo” representa a morte, que se segue à guerra e à fome fruto da escassez de comida, consequência da passagem dos cavaleiros anteriores. São citadas também as “feras da terra”, ou seja, os próprios seres humanos que exploram, enganam e matam seus semelhantes. A morte aqui não significa só o término da vida física, mas também a morte espiritual, pelo afastamento de Cristo. 

A perseguição aos fiéis (capítulo 6, versículos 9 a 11)      
O quinto selo refere-se àqueles que morrem pela sua fé em Cristo – os mártires. O texo fala das almas dos mártires “debaixo do altar”, aguardando o momento em que serão vingados(as). Essa imagem toma por base o que acontecia no Templo de Jerusalém, onde o sangue dos animais sacrificados era jogado debaixo do altar dos sacrifícios.

O grande terremoto (capítulo 6, versículos 12 a 17)
O sexto selo fala de um gigantesco terremoto, quando os astros são abalados e caem sobre a terra – evidentemente, trata-se de um símbolo, pois as estrelas são maiores do que a terra e não poderiam “cair” sobre ela. O significado é que se trata de um evento tal como nunca houve e nem haverá outro igual na terra e, com ele, vem o fim da sociedade humana como a conhecemos. 



Os salvos (capítulo 7)

Há uma pausa no processo de abertura dos selos e a visão de João se volta para os salvos, cujo número é de 144.000 pessoas. Como já vimos na parte 2 deste estudo, esse é um número simbólico, que representa todo o povo de Deus, ao longo de toda a história do homem.

E é dito que 12.000 pessoas serão salvas de cada “tribo de Israel”. Mas é importante perceber que há várias discrepâncias nas citações dessas tribos, em relação às tribos reais que aparecem no Velho Testamento. Isso ocorre porque se trata de uma lista simbólica que aponta para Jesus Cristo. Vejamos alguns exemplos dessas discrepâncias: 

  • A tribo de Ruben não é citada primeiro, embora ele fosse o primogênito. Judá é o primeiro a ser mencionado, pois essa é a tribo de Jesus, como descendente de Davi.
  • A tribo de Efraim, a maior e mais importante dentre todas, não é citada e isso acontece porque essa tribo foi a grande rival de Judá na história de Israel. Mas, agora não mais há qualquer competição possível, pois Judá é a tribo de onde veio o Messias.
  • Não havia tribo de José, cujo lugar entre as tribos de Israel foi tomado por seus dois filhos (Efraim e Manassés). Mas José é um símbolo para Jesus, pois ele sofreu (foi vendido como escravo) para poder salvar sua família da fome, quando se tornou o principal auxiliar do faraó.

O silêncio (cap. 8, versículos 1 a 6)

O sexto selo – o terremoto – significou o fim da história humana. Logo, a abertura do sétimo selo revela o que virá depois, ou seja o novo mundo. Mas, as revelações relativas à abertura do sétimo selo somente são apresentadas bem mais adiante no texto (a partir do capítulo 12), pois antes João explora as 7 trombetas, que reprisam os acontecimentos abrangidos pelos 7 selos.

Mas o sétimo selo começa com o silêncio absoluto. Ora, no céu, os anjos louvam continuamente a Deus e esse silêncio é surpreendente. Ele indica que a revelação do plano de Deus para a humanidade deve ser recebida com grande atenção e reverência (Habacuque capítulo 2, versículo 20). 

Um anjo então se dirigiu ao altar onde incenso era queimado e colocou nele as orações do povo de Deus. Depois atirou o fogo do altar na terra. O significado disto é que durante muitos anos, o povo de Deus repetiu “venha a nós o teu reino , seja feita a tua vontade“. E finalmente essas orações estavam sendo atendidas. 

As trombetas e as taças (capítulos 8, 9,11 e 16)
As trombetas e as taças da ira são descrições paralelas ao que é relatado na abertura dos selos e ficaria muito longo detalhar aqui tudo que é dito no texto. 

Basta dizer que são lançadas sobre os seres humanos diversas pragas, sendo que várias delas repetem as pragas que Deus lançou contra os egipcios para conseguir tirar Israel da escravidão: por exemplo, águas transformadas em sangue, trevas, tumores e gafanhotos. Isto significa que Deus, com as novas pragas, está lutando para tirar o ser humano da escravidão das forças do Mal, que têm dominado o mundo. 

(CONTINUA)

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