O “AJUSTE FINO” DO UNIVERSO PARA PERMITIR A VIDA

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Vou apresentar mais uma evidencia para comprovar a existência de Deus. Já apresentei duas outras em posts anteriores (um e outro), que se somam à evidencia apresentada agora.

A ideia é que esse conjunto de evidencias, quando considerado de forma cumulativa, permita a construção de uma prova para a existência de Deus. Essa metodologia de provar via acumulação de evidencias é a mesma usada para encontrar o culpado de um crime para o qual não houve testemunhas – os investigadores e promotores juntam amostras de DNA, impressões digitais, alibis e outras coisas que, no seu conjunto, acabam por incriminar o culpado.

A existência de um “ajuste fino”
O argumento que vou apresentar hoje fornece evidencia de que o universo foi projetado por uma mente inteligente, o que é feito levando em consideração o “ajuste fino” que deu condições para existência da vida.

Isto porque a vida na terra – humana ou de qualquer outro tipo – somente tornou-se possível pela existência de determinadas condições bem específicas. Por exemplo, o ambiente terrestre precisa ser mantido em determinada faixa de temperatura, nem muito fria nem muito quente, senão a vida morre.

Agora, talvez você não saiba, que há um número enorme de condições semelhantes ao nível da temperatura do meio ambiente que precisaram ser todas cumpridas para que a vida fosse possível. E estou apelidando esse conjunto de condições de “ajuste fino” do universo para permitir a vida.

É como se existisse uma “sala de controle” para todo o universo e, nela, um enorme painel com centenas de “botões”, sendo que cada um permitisse ajustar o valor de um único parâmetro (por exemplo, a temperatura ambiente na terra). O “ajuste” obtido no conjunto do “painel” precisaria ter sido tal que tornasse o desenvolvimento da vida viável.

Vejamos apenas dois exemplos de outros botões de ajuste, além do que “regula” a temperatura da terra. O primeiro deles tem a ver com a chamada força nuclear fraca, uma das quatro forças fundamentais da natureza. Essa força existe para manter os eletrons de um átomo girando em torno do seu núcleo (formado por prótons e neutrons). Sem ela, os átomos não seriam mantidos estáveis e, portanto, nenhuma matéria teria sido formada.

Agora, se a magnitude dessa força tivesse variado um valor infinitesimal – equivalente a apenas uma unidade em relação a um número gigantesco (o algarismo 1 seguido de 100 zeros) -, a materia não teria sido formada!

 

O segundo exemplo tem a ver com o ritmo da expansão do universo, que teve início com o chamado “Big Bang” (a tal explosão de um “ovo cósmico” de matéria muito densa). Se tivesse havido uma variação infinitesimal nesse ritmo de expansão – equivalente a uma unidade em relação a um número mais gigantesco ainda (o algarismo 1 seguido de 120 zeros) -, as estrelas e os planetas não teriam podido se formar.

 

Agora, imagine a precisão necessária para fazer esses dois “ajustes” ao mesmo tempo! Agora, leve em conta que existiram centenas de outros “ajustes” semelhantes! Foi esse o “ajuste fino” necessário para poder haver vida no universo – trata-se de situação de deixar qualquer um de boca aberta de admiração pela precisão do que foi feito!

Não há discussão entre os cientistas sobre a existência desse ajuste – ele é chamado em linguagem científica de “princípio antrópico”. A discussão que existe é quanto ao que causou esse “ajuste”. Aí há muita divergência.

Primeira possibilidade: o “ajuste” foi uma necessidade
Mas quais são as possibilidades de explicação para a existência do “ajuste”? Há três e a primeira delas é pensar que esse “ajuste” era necessário para a existência do universo. Em outras palavras, o universo não poderia existir sem que o “ajuste” tivesse também existido.

É claro que isso é verdade para algumas partes do “ajuste” – por exemplo, se não houvesse materia, não teria como haver universo. Mas muitas outras partes do “ajuste” não precisariam ter necessariamente ocorrido para que o universo também existisse. Por exemplo, o ambiente da terra ser mantido numa faixa de temperatura adequada para a vida não é uma necessidade para a existência do universo. Afinal, a terra nem precisaria ter sido formada e ainda assim o universo poderia perfeitamente existir – o universo não precisa obrigatoriamente da terra para nada.

Portanto, a possibilidade do “ajuste” ser uma necessidade relacionada com a existência do próprio universo não é verdadeira – praticamente todos os cientistas aceitam essa conclusão.

Segunda possibilidade: o “ajuste” ocorreu por acaso
A segunda possibilidade é que o “ajuste” tivesse ocorrido por mero acaso – alguns cientistas alegam que foi isso que coorreu. E, como sabem que se trata de “ajuste” muito difícil de ser conseguido, argumentam que uma loteria também é difícil de ganhar mas alguém sempre acaba ganhando.

Quem afirma isso não leva em conta a magnitude dos números envolvidos no “ajuste” que houve no universo para permitir a existência da vida – a “loteria do ajuste fino” seria impossível de ganhar na prática. E mostro o por quê.

A chance de ganhar na Mega Sena é uma única em relação a uma quantidade de possibilidades igual ao número formado pelo algarismo 1 seguido de 11 zeros (1 contra 100 bilhões). Agora, lembre-se dos dois exemplos que apresentei acima para mostrar a magnitude do “ajuste” fino do universo – num caso a chance era uma única em relação a um número formado pelo algarismo 1 seguido de 100 zeros e, no outro, o número de comparação era o algarismo 1 seguido de 120 zeros. Portanto, a Mega Sena é infinitamente mais fácil de ganhar do que a “loteria do “ajuste fino” – e mesmo assim com frequencia ninguém ganha os seus sorteios.

Para você ter uma ideia melhor do que estou falando, imagine ganhar uma “loteria” com uma chance em relação a um número formado pelo algarismo 1 seguido de 60 zeros. Essa “loteria” que acabei de propor equivale à possibilidade de acertar um alvo de 3 centímetros localizado num extremo do universo com uma bala que tenha sido atirada ao acaso do outro extremo dele. Isso não dá nem para comparar com a Mega Sena.

E a “loteria” do “ajuste fino” seria muito, mas muito mais difícil de ganhar do que a da “bala atirada ao acaso”. E ela precisaria ser ganha centenas de vezes, pois são centenas os “ajustes” de parâmetros necessários.

Concluindo, teria sido impossível o “ajuste fino” ter se dado por mero acaso. Tal possibilidade não é real.


O argumento pelo “ajuste fino”
Estamos agora preparados para apresentar o argumento para a existência de Deus pela existência do “ajuste fino”. Esse novo argumento, assim como os anteriores, também é composto por duas condições que, se provadas verdadeiras, tornam a conclusão obrigatoriamente verdadeira.

Vejamos quais são essas duas condições:

  • Condição 1: O “ajuste fino” do universo pode ser devido a três diferentes possibilidades: a necessidade, o acaso ou um projeto inteligente.
  • Condição 2: O “ajuste fino” do universo não foi devido nem à necessidade, nem ao acaso.

A conclusão é que o “ajuste fino” do universo foi devido a um projeto inteligente.

A primeira condição apresenta as três únicas possibilidades que poderiam explicar a existência do tal “ajuste fino” – não há uma quarta alternativa. Essas condições são: 1) o “ajuste fino” era uma necessidade para a existência do próprio universo;  2) ele ocorreu por mero acaso; e 3) ele foi projetado com precisão por uma mente inteligente.

A primeira condição é sempre verdadeira pois lista as três únicas possíbilidades que existem – não há uma quarta possibilidade. E um exemplo vai explicar melhor o que quero dizer: a declaração “um número qualquer só pode ser menor, igual ou maior do que o número 100” também é sempre verdadeira, pois essas são as três únicas possibilidades que existem quando se compara um número qualquer com o número 100.

A segunda condição também é verdadeira pois, como mostrei acima, o “ajuste fino” não se deu nem por necessidade e nem por acaso. 

Como as duas condições são verdadeiras, a conclusão é obrigatoriamente verdadeira: o “ajuste fino” necessário para a existência da vida foi fruto de um projeto inteligente.

E, se houve tal tipo de projeto, é porque existe um Criador incrivelmente inteligente – aí está mais uma evidência para a existência de Deus.

PS Aqueles interessados em aprofundar essa questão, recomendo o livro “Em Guarda”, de William Lane Craig.

Com carinho

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