O PEQUENO CAMINHO DE RUTH LEMING

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Era uma vez uma família que morava numa pequena cidade – cerca de 2.000 habitantes – no interior dos Estados Unidos. A família teve dois filhos – um menino (Rod) e uma menina (Ruth) – e levou uma vida bastante normal, como tantas outras. Era uma família religiosa que frequentava uma pequena igreja Metodista, como é muito comum no interior dos Estados Unidos.

Mas a família tinha um problema incomum que causou muito sofrimento. Rod era um intelectual e não uma pessoa voltada para atividades físicas. Ora, no tipo de ambiente em que moravam, a prova de masculinidade era gostar de atividades ao ar livre – caçar, pescar e acampar. Mas o prazer de Rod era frequentar bibliotecas e frequentar encontros políticos.

Por conta disso, ele sofreu bullying na escola e nunca se sentiu adaptado àquela pequena cidade. E assim que pode foi para a cidade grande. Formou-se em jornalismo e passou a ter uma vida intelectual muito ativa, escrevendo para vários jornais, escrevendo livros e mantendo diversos blogs.

A irmã, Ruth, era diferente: sempre se adaptou perfeitamente à vida no interior, pois achava que ali estava tudo o que queria e precisava. Formou-se professora, casou-se com seu primeiro namorado, teve três filhas e ficou morando na mesma cidade onde nasceu. 

E Ruth era uma pessoa especial, extremamente bondosa e gentil, querida pela cidade toda. E, de certa forma, era o filho que o pai deles queria ter tido, pois gostava da vida ao ar livre. É claro que Ruth não era perfeita, pois rejeitou seu irmão, já que não podia entender sua forma diferente de ser. 

Rod, sentindo-se rejeitado pela própria família, reagiu de forma agressiva e a família acabou meio rachada, embora ele nunca tenha deixado totalmente de frequentar a casa dos pais. E esse processo negativo acabou por levar Rod a uma vida espiritual confusa, conforme ele mesmo reconhece, durante a qual ele passou por diversas religiões, sem se sentir “em casa” em qualquer delas. E isso gerou outra fonte de crítica a ele, pois Ruth nunca entendeu a inquietude do irmão: “Será que meu irmão pensa que os metodistas não são suficientemente bons para ele?”

Anos depois, Ruth foi diagnosticada com um câncer intratável no pulmão e não durou muito (menos de dois anos). Sua doença teve um impacto enorme na cidade – uma coisa muito boa nas cidades do interior é a solidariedade que elas conservam, coisa que ficou meio perdida nas cidades grandes. 

Os vizinhos fizeram uma coleta para levantar fundos para o tratamento dela e entradas para o evento foram vendidas a R$ 20 por pessoa. E veio gente durante toda a noite e muitos pagavam com notas de cem e deixavam o troco. 

Certo homem voltou a orar, depois de muitos anos, pois queria fazer algo por Ruth e isso era o que estava ao seu alcance. Pessoas separadas
por questões políticas – algo muito sério em cidades pequenas – se reconciliaram, porque participaram de reuniões onde todos oravam por ela. O homem que foi o principal responsável pelo bullying que Rod sofreu, quando jovem, telefonou-lhe para fazer as pazes. Exemplos como esses se multiplicaram. 

E, ao longo desse processo todo, Rod acabou fazendo as pazes com sua cidade, com suas origens. Mas somente teve consciência plena disso depois do enterro da irmã, quando finalmente percebeu que toda a mágoa tinha acabado – ela acabou por voltar a morar na sua cidade para ficar perto da sua família.

Naturalmente, durante a doença de Ruth, as pessoas da cidade se perguntavam porque uma pessoa tão boa tinha que passar por aquele sofrimento. Qual seria o objetivo de Deus ao permitir esse tipo de coisa? 

Ruth sempre disse para todos não ficarem zangados com Deus, para verem o lado positivo das coisas e que sabia que Deus estava com ela. E sua fé tornou-se um exemplo para todos. 

O fato é que naquela cidade Deus usou o sofrimento de uma mulher para mudar a vida espiritual de toda uma comunidade. Injusto com a mulher, poderia pensar alguém, pois, de certa forma pagou, foi ela que pagou o preço pelo BEM que aconteceu.

Há sentido nesse argumento, mas não podemos esquecer que o sacrifício de Jesus foi exatamente isso, mas em escala muito maior: Ele carregou sobre si nossos pecados até a cruz. E se Deus não hesitou em usar seu próprio Filho dessa forma, não há porque estranhar o que aconteceu com Ruth.   

Rod escreveu um livro maravilhoso para relatar toda essa experiência, mas que ainda não foi traduzido para o Português (“The little way of Ruthie Leming”, cuja tradução deveria ser “O pequeno caminho de Ruthie Leming”).

E ele conta que, quando estava orando por Ruth, em dado momento sentiu uma presença maravilhosa que lhe revelou que ela não iria sobreviver, mas que haveria muito BEM vindo de tudo aquilo. Em paralelo, Ruth também teve uma experiência espiritual que lhe tirou todo o medo, comprovando o cuidado que Deus teve com ela.

E quero terminar com um ensinamento que está no livro: “a vida não é um mistério a ser decifrado, mas uma experiência a ser vivida com fé e em comunidade”. 

Com carinho  

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