COBIÇA, UM MAL SOCIAL: ANALISANDO O DÉCIMO MANDAMENTO

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Esse é o último post da série sobre os Dez Mandamentos. 

O Décimo Mandamento – “Não cobiçarás a casa do teu próximo, a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem o seu jumento, e nem coisa alguma que pertença ao seu proximo” (ver Êxodo, capítulo 20, versículo 17) –  é diferente de todos os demais porque se concentra não em atos concretos (roubar, matar ou adulterar), mas na intenção impura (cobiçar).

É interessante também perceber que o último mandamento fecha um ciclo que começou com o primeiro mandamento. Isto porque o primeiro mandamento (ver post do dia 4/1/11), fala sobre a soberania de Deus e o seu reconhecimento pelas pessoas, o que é uma forma de limitar o orgulho humano. Enquanto isto o décimo fala contra a cobiça e suas causas, a inveja e o egoísmo. Ora, esses sentimentos são as maiores causas dos males do mundo, pois sobre o terreno “fértil” adubado por orgulho, inveja, egoísmo e cobiça, nasce tudo que acontece de ruim: roubos, assassinatos, adultérios, mentiras, maledicência, etc.

Os pecados sociais
Inveja e egoísmo são as causas de alguém cobiçar aquilo que pertence ao próximo. Já falei bastante sobre o egoísmo no post colocado no dia 27/01/12, portanto vou me concentrar aqui na inveja e na sua consequência direta, a cobiça.

A inveja e cobiça são diferentes dos demais pecados humanos por terem características “sociais”. Somente podemos invejar e cobiçar aquilo que pertence às pessoas com as quais convivemos. Em outras palavras, solitários não tem como invejar e cobiçar.

Hoje em dia, há um grande incentivo à inveja e à cobiça por parte da sociedade em que vivemos. Aliás o marketing moderno apela pesadamente para esses sentimentos.
Outro aspecto interessante é que quanto mais se tem, mais há o que invejar e cobiçar. As pessoas muito pobres estão tão preocupadas apenas em sobreviver – em preencher suas necessidades mais básicas – que nem têm informações suficientes e nem condições de invejar e cobiçar o que está no seu entorno. Mas, à medida em que sobem na escala social, as informações chegam e a pessoa não está mais todo tempo apenas preocupada em sobreviver, assim a inveja e cobiça começam a se fazer presentes. É exatamente por isso que as sociedades em nivel de pura subexistência não são muito violentas, mas aquelas que estão num degrau acima são bem amis agressivas – podemos ver esse fenônomeno acontecer diante dos nossos olhos, com o crescimento ecoônomico do Nordeste brasileiro, que foi acompanhado por um grande aumento da violência.

Outro aspecto interessante da inveja é que as pessoas passaram a se sentir muito lisonjeadas por serem invejadas. E aí outras pessoas passaram a invejar quem consegue ser muito invejado. Isto é ou não um sintoma de loucura social? E vemos isso acontecer diariamente: uma artista famosa se sente bem quando todos a invejam ao andar pelos tapetes vermelho da vida, já as artistas menos famosas se roem de inveja por não serem tão invejadas como as que têm verdadeira fama. E vão fazer tudo para conseguir os que a mais famosa têm e ela não.

Por conta de tudo que eu falei acima, a inveja e sua consequência direta, a cobiça, acabam se alimentando delas mesmas, num processo sem fim. Quando a isso tudo se junta o egoísmo, o conjunto fica altamente explosivo.

É por isto que o fechamento do conjunto de mandamentos que Deus nos deu é um chamado contra a cobiça.  

Com carinho
Vinicius 

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